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Sobre “Mulher, cultura e sociedade”

Giss Zarbietti
4 Minutos de Leitura

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Mais da metade dos lares brasileiros são chefiados por mulheres e essa situação desmantela o castelo de ilusões em torno da emancipação feminina. Foi para debater questões como essa e, sobretudo, refletir sobre nossa representatividade nos espaços de protagonismo e poder político que reuni uma série de artigos, acrescentando temas como mídia, educação e meio ambiente, no livro “Mulher, cultura e sociedade”, que será lançado em março pela Brilharte Editorial.

A obra chega num momento em que o Brasil acaba de instituir a Política Nacional de Cuidados e do delicado debate sobre os limites das redes sociais depois do anúncio da Meta, empresa dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, de encerrar seu programa de checagem de fake News. A relação da mulher com a natureza em tempos de emergência climática e feminicídio, além de questões envolvendo discursos de ódio, patrimônio cultural, identidade, democracia e sustentabilidade são outros assuntos que busquei abordar com o objetivo de instigar o pensamento crítico e reflexivo.

Para além da gritante desigualdade de gênero provocada principalmente pelo trabalho invisível, ao longo dos cerca de 30 artigos reunidos na publicação convido o leitor a refletir sobre as demandas sociais do nosso tempo. As mudanças na estrutura das organizações e nas relações de trabalho impostas pela pandemia da Covid-19 e por fenômenos climáticos são eixos norteadores, abordados em uma linguagem transversal com o objetivo de mostrar como temas da atualidade impactam diretamente na vida das mulheres.

O relato emocionante de uma mãe que perdeu sua única filha para o suicídio decorrente da violência sexual finaliza a obra com uma mensagem de força para o leitor acerca das histórias de quem transformou sua dor em propósito. O prefácio, assinado por Marco Maida, mestre em filosofia, questiona o lugar da mulher, tema amplamente abordado em toda obra.

Este lugar, aliás, evidencia as mais evidentes formas de exploração, opressão e discriminação que nos desafiam a refletir sobre as míticas em torno do empoderamento feminino. Em vez de assegurar conforto e independência, sobretudo a econômica, a conquista de postos no mercado de trabalho trouxe incumbências excedentes ao público feminino. Em alguns casos, isso tem isentado muitos homens da responsabilidade de prover o sustendo dos lares. Essa condição não subtrai da mulher o acúmulo do repetitivo e enfadonho trabalho doméstico, além de toda responsabilidade pelo cuidado da família.

A complexidade de temas e demandas acerca do universo feminino é o expoente central do debate sobre a representação da mulher no poder político. Como descrevo ao longo dos textos, muito mais que incentivar essa presença é preciso qualifica-la e, sobretudo, ampliar essa participação nos espaços de protagonismo para que a sociedade se acostume com a ideia de que a mulher também produz conhecimento, motivo este responsável por todo ciclo de opressão e violência política e de gênero.

Para garantir seu exemplar, clique aqui e retire na noite de lançamento, que iremos informar em breve.

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