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Páscoa amarga: TCE aponta falha de Guti e crianças de Guarulhos ficam sem ovos

Um contrato firmado ainda na gestão do ex-prefeito Guti resultou em uma Páscoa amarga para milhares de crianças em Guarulhos
Amarildo Augusto
3 Minutos de Leitura

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Um contrato firmado ainda na gestão do ex-prefeito Guti (PSD) resultou em um prejuízo amargo para milhares de crianças em Guarulhos. A tradicional distribuição de ovos de Páscoa na rede municipal foi cancelada neste ano após o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) apontar graves irregularidades em licitações anteriores, o que comprometeu a continuidade do programa.

A licitação de 2025 para a compra dos ovos foi cancelada pela Secretaria de Educação, que alegou a necessidade de ajustes orçamentários e legais diante das falhas encontradas pelo TCE-SP em editais firmados na gestão de Guti. Entre os apontamentos mais sérios estão o uso indevido de recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), superfaturamento e vínculos suspeitos entre empresas fornecedoras.

Criado por lei em 2022, durante o mandato de Guti na Prefeitura de Guarulhos, o programa de distribuição de ovos de Páscoa pretendia promover inclusão social e garantir que todos os alunos da rede pública tivessem acesso a esse símbolo da data comemorativa. Contudo, o que deveria ser um gesto simbólico se transformou em um caso de gestão questionável.

Em 2022, por exemplo, a Prefeitura adquiriu 119 mil ovos por R$ 2,7 milhões de uma empresa cujo ramo principal era o comércio de verduras. O TCE-SP considerou o preço incompatível com o mercado e apontou ilegalidades no uso de recursos públicos. Em 2023, a contratação da empresa Sellmar Distribuidora manteve os mesmos valores do ano anterior e revelou possíveis vínculos entre os sócios de empresas envolvidas nas duas licitações — acendendo o alerta sobre falta de concorrência e transparência.

SEM SAÍDA

A atual administração, sob o comando do prefeito Lucas Sanches (PL), optou por interromper a nova licitação diante das irregularidades herdadas. A medida, embora necessária para proteger os cofres públicos, teve como efeito imediato o cancelamento da entrega dos ovos de Páscoa — deixando milhares de alunos sem a tradicional comemoração nas escolas.

A suspensão também acontece no contexto de outro corte importante: a compra de uniformes escolares, orçada em R$ 92,4 milhões, também foi travada pelo TCE-SP por conter cláusulas que, segundo o órgão, limitavam a competitividade e impunham exigências técnicas desproporcionais.

Enquanto as falhas do passado são analisadas e a atual gestão busca reorganizar os processos administrativos, quem sente o impacto direto são as famílias guarulhenses e, principalmente, as crianças, privadas de mais uma iniciativa que simbolizava carinho, atenção e inclusão no ambiente escolar.

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