Dia dos Pais pode despertar gatilhos emocionais profundos, alerta Hapvida

A psicóloga Lua Helena Moon, da Hapvida, explica que o Dia dos Pais é uma data que pode despertar gatilhos profundos
Redação Leia SP
5 Minutos de Leitura

Quer receber as notícias mais importantes em primeira mão?
Entre em nosso grupo no

Em meio às campanhas publicitárias calorosas e aos almoços em família que marcam o Dia dos Pais, muitas pessoas enfrentam o período com um misto de silêncio, dor e sentimentos não resolvidos. Seja por luto, abandono ou vínculos frágeis, o segundo domingo de agosto pode ser um lembrete desconfortável sobre a ausência paterna.

A psicóloga Lua Helena Moon, da Hapvida, explica que a ocasião pode despertar gatilhos profundos. “É um dia que, para muitos, reforça o que faltou: não o que foi celebrado. E isso precisa ser reconhecido com acolhimento, não com culpa“, afirma.

Nesse sentido, permitir-se sentir tristeza, raiva ou até indiferença é fundamental. “Nenhum sentimento precisa ser escondido só porque o calendário diz que é dia de festa”, acrescenta.

Luto que se renova

Para quem perdeu o pai, a data pode reabrir uma dor que parecia adormecida. “O luto não é linear. Mesmo depois de anos, datas simbólicas podem machucar”, explica.

Ausências explícitas e disfarçadas

Em paralelo, de acordo com o portal da transparência da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), de janeiro ao início de agosto de 2025, 1.508.063 bebês nasceram no Brasil. Desse total, quase 65 mil receberam apenas o sobrenome da mãe.

Quando se fala em abandono paterno, muita gente imagina aquela cena clássica do homem que foi embora e nunca mais deu notícia. Mas existe uma ausência disfarçada. E talvez mais dolorida: a do pai que nunca saiu de casa, mas também nunca esteve lá de verdade.

“Ele estava na mesa do jantar, mas não sabia o nome da professora, nunca perguntou sobre um sonho, nem quis saber dos medos. A gente cresce achando que isso é o normal. Que pai não participa mesmo, não cuida, não escuta. Como se carinho de pai fosse uma cortesia, não uma responsabilidade”, reflete.

No Brasil, esse tipo de abandono virou quase folclore. A piada do “saiu pra comprar cigarro” parece engraçadinha, mas tem gosto amargo para quem ficou esperando. Às vezes a ausência tem nome de tragédia: a morte, por exemplo. Outras vezes, é o corte brusco do abandono. E tem ainda o silêncio morno de quem ficou, mas nunca se conectou: a frieza, o distanciamento, a raiva.

“Qualquer uma dessas formas deixa marcas. Sabemos que outras figuras podem acolher: a mãe, a avó, um tio presente, mas a falta do cuidado paterno não se apaga sozinha”, pontua a também psicóloga da Hapvida, Verônica Lima.

Nesse cenário, Lua Helena afirma que o risco maior é a criança crescer acreditando que não é digna de amor, que tem algo errado com ela. “E aí passa a vida tentando provar o contrário, sem nem saber que está tentando”, frisa.

Naturalmente, quando chega o Dia dos Pais, para muita gente, a data pesa. “Não tem homenagem que encaixe, nem sorriso que disfarce. É normal sentir tristeza, raiva, até inveja de quem teve pai presente”, afirma Lua. No entanto, não precisa fingir que não dói. “O que não dá é para seguir tratando o abandono como se fosse um detalhe do passado ou uma falha das mães”, destaca.

Ainda segundo Lua Helena, existe uma estrutura social inteira por trás disso: homens ensinados a não cuidar, a achar que dar amor aos filhos é opcional. “Mudar isso não é simples, mas começa com o óbvio: nomear a dor. Falar sobre ela. E, devagar, aprender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de maturidade. Porque só quando a gente reconhece o que doeu é que começa a escolher um caminho diferente”, orienta.

Pais presentes

A psicóloga Verônica Lima finaliza com um recado importante. “Estamos diante de um momento de reflexão sobre a importância de estar de fato na vida dos filhos construindo vínculos e memórias, porque, afinal, presença é participar, escutar e cuidar”, conclui.

Compartilhar este Artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar de saber...

Casamento em crise — tem solução?

Na semana de 3 a 9 de junho, pessoas em todo o…

JW org
Por

Câmara de São Paulo discute indenização de veículos danificados pelas enchentes

Confira outros Projetos de Lei que foram destaque no programa "Em Tramitação",…

Redação Leia SP

Datafolha: Empatados, Boulos e Nunes se isolam na disputa à prefeitura de SP

Empatados tecnicamente, os candidatos lulista e bolsonarista têm mais de 20% de…

Guilherme Alferes