Deputados da oposição protocolaram, nesta semana, um pedido de impeachment contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado). A iniciativa foi liderada por Antonio Donato (PT) e Guilherme Cortez (PSOL), que acusam o governador de cometer crime de responsabilidade ao utilizar a estrutura do governo paulista para fins políticos e para atacar instituições da República.
O pedido se baseia principalmente em dois episódios recentes. O primeiro foi a ida de Tarcísio a Brasília, utilizando avião e recursos públicos, para participar de articulações em favor de uma proposta de anistia a Jair Bolsonaro e outros envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Para os autores do pedido, essa agenda não tem relação com os interesses do Estado de São Paulo e configura desvio de finalidade.
O segundo ponto destacado foi a participação do governador no ato de 7 de setembro na Avenida Paulista. Na ocasião, Tarcísio discursou contra o Supremo Tribunal Federal e o ministro Alexandre de Moraes, afirmando que “ninguém aguenta mais a tirania de um ministro” e que o julgamento dos envolvidos no 8 de janeiro seria uma farsa. Segundo os parlamentares, essa postura afronta a Constituição e estimula o desrespeito às instituições democráticas.
Para os deputados, as ações de Tarcísio não podem ser tratadas apenas como opiniões políticas, mas sim como uso indevido do cargo e dos recursos do Estado para fins pessoais e partidários. Eles afirmam que a conduta do governador representa risco à democracia e viola o juramento constitucional feito ao assumir o cargo.
Agora, o pedido será analisado pela presidência da Alesp, que decidirá se dará andamento ao processo. Caso aceite, o trâmite pode evoluir para comissões e votação em plenário. Até o momento, o governo de São Paulo não se pronunciou oficialmente sobre o pedido.


