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“Me conta como era no seu tempo?”: ouvir causos dos avós é exercício poderoso para o cérebro e remédio contra a solidão

No Dia dos Avós, especialista explica como ouvir histórias de vida estimula o cérebro, fortalece vínculos e ajuda a combater a solidão
Redação Leia SP
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Quem nunca ouviu um avô ou uma avó começar uma conversa com um clássico “No meu tempo…”? O que para muitos parece apenas mais uma história repetida pode esconder um poderoso exercício para o cérebro e um gesto simples capaz de aliviar a solidão, fortalecer vínculos familiares e preservar memórias que atravessam gerações.

Neste Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, especialistas chamam a atenção para um hábito que vem perdendo espaço em meio à correria e às telas: sentar sem pressa para ouvir os “causos” de quem já viveu décadas de experiências. Além de fortalecer a convivência entre gerações, esses momentos estimulam funções importantes do cérebro e contribuem para a saúde emocional das pessoas idosas.

Segundo a geriatra Mariana Queiroz Gaspar, da Hapvida, cada história contada mobiliza diferentes áreas cognitivas.

“Sempre digo que, quando um avô ou uma avó começa uma história com ‘No meu tempo…’, vale a pena parar e ouvir. Naquele momento, não está sendo compartilhada apenas uma lembrança, mas uma vida inteira de experiências. Recordar o passado ativa áreas relacionadas à memória, à linguagem, às emoções e ao raciocínio. Mas existe algo ainda mais importante: quando alguém escuta com interesse, a pessoa idosa percebe que sua história continua fazendo sentido. E sentir-se importante e lembrado também faz muito bem à saúde”, explica a médica.

Percepção que encontra respaldo na ciência. Um estudo brasileiro baseado no ELSI-Brasil, publicado em 2024 na Revista Brasileira de Epidemiologia, acompanhou mais de sete mil pessoas com 50 anos ou mais, e mostrou que vínculos familiares estão associados a menores níveis de solidão entre pessoas que relataram esse sentimento, reforçando a importância da convivência e da participação da família para o bem-estar durante o envelhecimento.

Ouvir é cuidar

Para a especialista, o benefício vai muito além da memória.

“À medida que envelhecemos, o tempo parece passar mais devagar quando estamos sozinhos. Uma visita, uma ligação ou uma conversa sem pressa têm um valor imenso. Ouvir os ‘causos’, rir das histórias repetidas e demonstrar interesse faz o idoso sentir que continua ocupando um lugar especial na família. Esse sentimento reduz a solidão, melhora o humor, fortalece a autoestima e ajuda a proteger a saúde física e mental. Às vezes, o melhor remédio é simplesmente alguém dizer: ‘Conta essa história de novo, eu gosto de ouvir'”, afirma a geriatra.

Mais do que recordar datas e acontecimentos, conversar sobre o passado também ajuda a preservar aquilo que nenhuma fotografia consegue guardar: as emoções, os aprendizados e a identidade de uma família.

Herança valiosa

Nos últimos anos, muitas famílias passaram a registrar em vídeos e áudios as histórias dos avós. E, para Mariana, a iniciativa vai muito além de criar um arquivo de lembranças.

“As melhores perguntas são aquelas que demonstram interesse pela pessoa, e não apenas pelos fatos. Perguntar como foi a infância, qual foi o dia mais feliz da vida, quem foi o grande amor, do que sente mais orgulho ou que conselho gostaria de deixar para filhos e netos costuma despertar lembranças muito bonitas. Registrar essas histórias é um presente para toda a família. Um dia, essas vozes, essas risadas e esses ensinamentos se tornarão uma herança muito mais valiosa do que qualquer bem material”, orienta.

Lapsos X Alzheimer

Embora lapsos de memória façam parte do envelhecimento saudável, a geriatra explica que é importante saber diferenciar esquecimentos esperados daqueles que merecem investigação.

“É comum demorar um pouco mais para lembrar um nome e recordá-lo alguns minutos depois. O que não é esperado é quando os esquecimentos passam a comprometer a rotina, como repetir várias vezes a mesma pergunta, esquecer compromissos importantes, se perder em lugares conhecidos ou deixar de realizar atividades que sempre fez”, diferencia a médica.

Além da perda persistente de memória, mudanças de comportamento, dificuldade para administrar dinheiro ou medicamentos, confusão sobre datas e lugares, dificuldade para encontrar palavras e perda da autonomia também merecem atenção.

“Muitas famílias acreditam que isso faz parte da idade, mas envelhecer não significa perder a independência. Procurar ajuda precocemente é um gesto de carinho. Muitas causas de alteração da memória podem ser tratadas ou controladas quando identificadas cedo”, ressalta Mariana.

Convite

Para a geriatra, o Dia dos Avós deve servir como um convite para reflexão sobre o valor do tempo compartilhado.

“O maior presente é algo que não cabe em uma caixa: presença. Os avós dificilmente vão se lembrar de quanto custou um presente, mas nunca esquecem um abraço apertado, uma tarde de conversa, um almoço em família ou um neto que largou o celular para simplesmente ouvi-los.”

A especialista conclui lembrando que a longevidade é construída muito além dos consultórios.

“Como geriatra, aprendi que a longevidade não é feita apenas de remédios e exames. Ela também é construída com afeto, pertencimento e amor. Sentir-se lembrado, incluído e necessário faz bem para o coração, para a mente e para a alma.”

Cinco perguntas sugeridas pela geriatra para fazer aos avós:

  • Como era a sua infância e do que você mais sente saudade?
  • Qual foi o dia mais feliz da sua vida?
  • Quem foi o grande amor da sua história?
  • Qual foi o maior desafio que você superou?
  • Que conselho você gostaria de deixar para seus filhos e netos?

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Sobre a Hapvida

Com mais de 80 anos de experiência, a Hapvida é hoje a maior empresa de saúde integrada da América Latina. A companhia, que possui mais de 75 mil colaboradores, atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.

Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado de ponta a ponta, a partir de 84 hospitais, 75 prontos atendimentos, 367 clínicas médicas e 313 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial, além de unidades especificamente voltadas ao cuidado preventivo e crônico. Dessa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta uma empresa com os melhores recursos humanos e tecnológicos para os seus clientes.

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