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Governo de SP, União e Prefeitura de São Paulo anunciam pedido de fim do contrato da Enel

Decisão conjunta foi tomada após análise de falhas recorrentes no fornecimento de energia elétrica em 24 municípios paulistas
Redação Leia SP
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Os governos do Estado de São Paulo, federal e a Prefeitura da capital chegaram a um acordo, na terça-feira (16), para solicitar à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a decretação da caducidade do contrato da Enel, concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica em 24 municípios paulistas.

Conteúdos da Matéria

A decisão foi tomada durante reunião realizada no Palácio dos Bandeirantes, liderada pelo governador Tarcísio de Freitas, com a presença do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.

Tarcísio destacou que os problemas recorrentes no fornecimento e no restabelecimento da energia demonstram a incapacidade da concessionária de garantir a continuidade do serviço. Segundo o governador, as falhas reiteradas tornaram o cenário insustentável.

“O que estamos concluindo é que a situação da Enel em São Paulo é insustentável. A empresa não tem mais condições de prestar o serviço, enfrenta um grave problema de reputação e deixa a população sem energia de forma constante. Não há outra alternativa senão adotar a medida mais grave prevista no contrato de concessão, que é a decretação de caducidade”, afirmou.

O governador citou o episódio mais recente, iniciado em 9 de dezembro, que deixou cerca de 2,2 milhões de clientes sem energia elétrica, com parte do restabelecimento levando mais de cinco dias. Ele lembrou que situações semelhantes ocorreram também em 2023, 2024 e novamente em 2025.

Tarcísio afirmou ainda que Estado, União e Prefeitura estão atuando de forma conjunta para instruir o processo junto à Aneel. “Estamos na mesma página — Ministério de Minas e Energia, Governo do Estado e Prefeitura — para que o processo de caducidade seja instaurado”, declarou, ressaltando que a medida impede, inclusive, eventual pedido de prorrogação antecipada do contrato.

Durante a reunião, o governador apresentou ao ministro de Minas e Energia um histórico de interrupções no fornecimento de energia desde 2019 e ressaltou que análises de diversos órgãos oficiais indicam que a Enel não atende aos padrões mínimos de qualidade esperados para a prestação do serviço público.

Foram apresentados dados do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, que apontam uma redução de 51,55% no quadro de funcionários da empresa nos últimos cinco anos, além de relatórios da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), que atestam a precarização da infraestrutura. Também foi citado que sete dos 11 Planos de Resultados pactuados pela concessionária foram reprovados pela Aneel.

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Atuação integrada

O prefeito Ricardo Nunes avaliou a reunião como positiva e afirmou que ficou evidenciada a falta de estrutura e de compromisso da empresa para responder adequadamente a situações adversas, especialmente diante de eventos climáticos extremos.

Nunes reforçou que o pedido conjunto busca que a Aneel, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, dê início ao processo de caducidade, com o objetivo principal de proteger a população, que tem enfrentado longos períodos sem energia elétrica.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a importância da atuação federativa integrada. “Estamos completamente unidos para que se inicie um processo de caducidade”, afirmou, acrescentando que a expectativa é de uma resposta célere da agência reguladora à população paulista.

Também participaram da reunião a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo, Natália Resende; o diretor-presidente da Arsesp, Daniel Narzetti; o diretor de Regulação Técnica e Fiscalização dos Serviços de Energia da Arsesp, Thiago Magalhães Veloso; o secretário de Justiça da capital, André Lemos; a procuradora-geral do município, Luciana Nardi; o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Arthur Cerqueira; o presidente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Alexandre Ramos; e o diretor da Aneel, Gentil Nogueira.

Histórico

Entre 2024 e 2025, a Enel registrou a maior média mensal de reclamações na Ouvidoria da Aneel entre as concessionárias paulistas. Nos últimos sete anos, a empresa acumulou multas superiores a R$ 400 milhões, sem melhora efetiva na qualidade do serviço.

O Governo do Estado de São Paulo, por meio da Arsesp, tem atuado de forma contínua com fiscalização permanente, identificação de gargalos críticos, aplicação de penalidades e envio de relatórios técnicos à Aneel, apontando a degradação da qualidade do serviço e o descompasso entre os indicadores regulatórios e a realidade enfrentada pela população.

Relatórios de fiscalização da Arsesp indicam ainda insuficiência de investimentos e falhas na execução de vistorias, com registros fotográficos que evidenciam a precarização da rede de distribuição em diversas localidades.

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