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Ana Hickmann e as míticas da mulher empoderada

Foto: Arquivo pessoal

Mulheres que se bancam sempre incomodaram. Quando, então, carregam homens nas costas, se tornam alvo da cobiça e inveja típicas do machismo estrutural. O caso da apresentadora Ana Hickmann, vítima de violência doméstica cometida pelo próprio marido, mostra como mulheres empoderadas são ao mesmo tempo impotentes.

Numa sociedade erguida sob os pilares da cultura patriarcal, mulheres que tentam adquirir autonomia se tornam desígnio de ódio e vingança. Seu nível de empoderamento só é aceito desde que sejam comandadas por figuras masculinas. Uma espécie de poder subliminar, admitido só até a segunda página. E olhe lá.

A violência dos homens não tem classe nem raça. A história é farta de exemplos que ajudam a desconstruir a mítica da mulher empoderada como o da socialite Ângela Diniz, da modelo Luiza Brunet e da cantora Rihanna. Protótipos que alimentam civilizações como a brasileira, fundada numa estrutura escravocrata e de grande concentração de riquezas.

Dessa equação surgiu o patriarcado, sistema de normas que estabelece a dominação dos homens. Criado para garantir a eficiência do capitalismo, o patriarcado precisou anular, explorar e oprimir as mulheres ao longo dos séculos. Como resultado, vemos a violência linguística e financeira até o feminicídio.

Rica, bonita e famosa, Ana Hickmann despertou a ira de seu marido, quem sustentava desde os 16 anos. Além das agressões físicas e verbais, ele decidiu traí-la financeiramente. Essa atitude de homens covardes e parasitas econômicos estão enraizadas na sociedade e se manifestam em todos os meios, até mesmo na política.

Frases como “Se você fosse minha mulher eu chegaria longe”, “Segura ela” e “Não podemos deixa-la caminhar sozinha” são comuns serem ouvidas no cotidiano de mulheres que atuam nos bastidores da política. Essa realidade torna ainda mais urgente a necessidade de ocupar os espaços de decisões por mulheres que não sejam fabricadas para estarem a serviço da supremacia patriarcal.

Que o livramento, ainda que tardio, de Ana Hickmann, possa ajudar a desconstruir as míticas sobre empoderamento feminino e abrir os olhos de quem vive realidades semelhantes. E que o ingresso de mulheres na política se dê por reconhecimento de suas trajetórias nas urnas e não por privilégios. Só assim é possível influenciar na agenda progressiva de direitos e construir um lugar de fala autêntico.

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